Jornais expostos para venda
Jornais à venda - Fotografia por Pexels.com

Mídias de massa – meios de comunicação destinados a atingir um grande número de pessoas – desempenharam um papel importante na história mundial, despertando populações em diversos momentos e lugares para resistir a opressões governamentais e outras, além de chamar os que estão no poder a prestar contas. Não é de surpreender que, em muitos países, os governantes tenham se recusado a permitir uma imprensa livre, e jornalistas tenham sido mortos por se manifestarem. Em alguns países, a mídia nada mais é do que a voz oficial dos que estão no poder, ao passo que, em outros, serviu como a voz da resistência ou mesmo da revolução.

O primeiro jornal de massa

Talvez o primeiro jornal impresso tenha sido o Acta Diurna (Ato Diário) na Roma antiga. Júlio César decidiu comunicar aos cidadãos as políticas do governo e, a partir de 59 a.C., elas foram disponibilizadas em locais públicos. Versões posteriores foram chamadas de Acta Urbana (Ato da Cidade) ou Acta Senatus (Ato do Senado). Essas folhas de notícias eram copiadas à mão por escribas, provavelmente em papiro, e estavam, sem dúvida, sujeitas à supervisão e controle do governo. Boas notícias sobre o Império Romano eram muito mais prováveis ​​de serem publicadas do que más notícias. Além dos feitos diários dos que estavam no poder, a Acta continha anúncios de aniversários, casamentos e informações sobre novos empreendimentos. Mais tarde, os imperadores expandiram o papel da Acta, usando-a para disseminar histórias favoráveis ​​sobre si mesmos ou desfavoráveis ​​sobre rivais. A Acta parece ter sido muito popular e de amplo alcance; aqueles que não sabiam ler esperavam até que alguém (um profissional da cidade ou um transeunte letrado) lesse as notícias em voz alta. O orador e historiador Tácito (c. 56 – c. 120 E.C.) escreveu em seus Anais que “pessoas de todas as esferas da vida leem avidamente os vários Acta, e os líderes políticos consideraram-nos um recurso inestimável”.

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Outro antigo império que usava algo parecido com um jornal era a China da dinastia Tang (618-907 d.C.), onde o Di bao (Diário da Corte) continha notícias reunidas por vários membros da elite governante. Originalmente destinado a membros da corte imperial, foi posteriormente expandido para incluir os intelectuais, mas diferentemente da Acta, não foi publicado em nenhum lugar que o público em geral pudesse lê-lo. Na época da dinastia Ming (1368–1644), os jornais tinham uma disseminação mais ampla, mas as elites ainda queriam informações restritas a alguns poucos e buscavam controlar o que o público em geral lia. Não foi até o século XIX que a indústria jornalística na China começou a florescer.

Primeiras fontes de notícias europeias

Embora o inventor chinês Bi Sheng tenha desenvolvido um método de impressão usando blocos de madeira móveis por volta de 1041, a Europa não fez uso da tipografia móvel até que Johannes Gutenberg desenvolveu sua impressora por volta de 1438.

Antes de meados do século XIX, as publicações europeias que informavam sobre notícias eram chamadas por vários nomes. Uma das formas mais antigas de publicação a sobreviver é o coranto; o primeiro coranto foi publicado em Amsterdã em dezembro de 1620 e foi mais um panfleto do que aquilo que hoje chamamos de jornal. A maioria dos corantos foi publicada em holandês. Concentravam-se em notícias de negócios e política. Amsterdã era uma cidade muito cosmopolita, com mercadores que viajavam por todo o mundo e queriam saber o que estava acontecendo em outros países onde poderiam fazer comércio. Como resultado, os corantos se tornaram muito populares; em um período em meados de 1600, havia oito semanais ou quinzenais, trazendo notícias da África, Ásia, Itália, Alemanha e outros lugares.

Na Itália havia a gazeta, uma folha de notícias semanal que parece ter origens em Veneza em meados de 1500 (embora alguns historiadores questionem a data, como também questionam se a folha realmente recebeu seu nome da moeda gazeta, que era usada no pagamento). As gazetas, como os corantos, continham notícias sobre negócios e política e eram lidas tanto pelo público em geral quanto pelos muitos mercadores que vinham para a Itália. Na Alemanha, havia jornais semanais já em 1615, e um jornal diário, o Leipziger Zeitung (jornal de Leipzig), que começou em 1660. Esses jornais cobriam política, cultura e ciência e forneciam informações importantes durante a Guerra dos Trinta Anos. Mas a imprensa alemã sofreu frequentemente restrições do governo.

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Em Paris, já em 1488, havia alguns occasionnels – folhetos do governo com cerca de quatro páginas. Principalmente publicados em Lyon e Paris, eram um resumo do que o governo fazia. Por volta de 1529, havia também os canards, publicações de natureza mais sensacional e às vezes polêmicas. Exilados franceses que viviam em Amsterdã publicaram panfletos que criticavam a intolerância do rei Luís XIV; essas publicações eram chamadas de lardons (“fatias de bacon”), e os exilados, principalmente os huguenotes, os tinham contrabandeado para a França no final da década de 1690. No início de 1777, Paris ganhou seu primeiro jornal diário, o Journal de Paris (Jornal de Paris), mas o governo manteve um controle estrito sobre o que poderia ser impresso. Havia uma imprensa clandestina para vozes dissidentes. Havia também algumas mulheres que participavam de jornalismo, publicando um jornal mensal chamado Journal des Dames, publicado pela primeira vez em 1759. Seus editores acreditavam no “direito do público feminino” – e obrigação – “de ser informado sobre assuntos controversos”. Infelizmente, como em outros jornais da época, a censura do governo é frequentemente encontrada, assim como a resistência a seu apelo por maior participação feminina na vida pública. Deixou de ser publicada em 1778.

Na Espanha, sob o reinado do Rei Ferdinando e da Rainha Isabela, todas as impressoras deviam ser licenciadas. O primeiro jornal espanhol foi provavelmente o Correos de França, Flandres e Alemania (Notícia da França, Flandres e Alemanha), fundado por Andrés de Almansa e Mendoza em 1621. Na colônia espanhola no México, a Gaceta de México e Noticias de Nueva España ( Gazeta do México e Notícias da Nova Espanha), considerado por alguns como o primeiro jornal do México, apareceu em janeiro de 1722, publicado por Juan Ignacio Maria de Castorena y Ursúa, que mais tarde se tornou Bispo de Yucatán.

Na Inglaterra, o mais antigo jornal sobrevivente, de setembro de 1621, é o Weekely Newes from Itália, Alemanha, Hungria, Polônia, Boêmia, França and Low Countries (Notícias semanais de Itália, Alemanha, Hungria, Polônia, Boêmia, França e Países Baixos). Seguiu o formato dos corantos holandeses e, a princípio, publicava principalmente notícias de negócios, embora gradualmente expandisse para incluir desastres naturais, guerras e assim por diante. Em 1641, relatórios do Parlamento foram emitidos pela primeira vez. O primeiro diário foi o Daily Courant, fundado por Samuel Buckley em março de 1702. Revistas como a Tatler também começaram a proliferar nessa época; ofereciam opiniões sobre eventos atuais. À medida que a demanda por jornais e publicações de notícias continuava a aumentar, o mesmo aconteceu com a censura do governo, algumas vezes indiretamente, através de impostos excessivos sobre os impressores, e às vezes diretamente, com impressores dissidentes sendo fechados. Depois de um breve período de relativa liberdade durante a década de 1640, quando jornalistas puderam até mesmo criticar o rei e centenas de panfletos e informativos foram vistos em Londres, a censura à imprensa foi restabelecida por Oliver Cromwell em 1655. O mesmo tipo de controle ocorreu nas colônias britânicas. O primeiro jornal da América do Norte, Publick Occurences, foi publicado em setembro de 1690 e imediatamente fechado. O próximo jornal americano colonial, o Boston NewsLetter, apareceu em 1704 e teve que se submeter aos censores britânicos para continuar publicando. Sobreviveu pelos setenta e dois anos seguintes, evitando controvérsias e não criticando a monarquia. Imigrantes europeus para a América do Norte de outros países também estabeleceram jornais. O primeiro a aparecer, um jornal de língua alemã, foi o Philadelphische Zeitung (Jornal da Filadélfia), iniciado em 1732.

Mídia Impressa no Império Britânico

Em todo o império britânico o inglês era a língua preferida para o jornalismo, já que a maioria dos jornais havia sido fundada por empresários da Grã-Bretanha. Isso excluía todos que só sabiam ler no idioma local, por outro lado era uma oportunidade de contratação a jornalistas locais fluentes em inglês. Em Calcutá, Índia, James Augustus Hickey fundou a Gazeta de Bengala em janeiro de 1780. Para ajudar a cobrir as despesas de publicação, começou a aceitar anúncios, mas o jornal durou apenas dois anos, em grande parte devido à polêmica reportagem de Hickey sobre o governador-geral. Mesmo distante, o governo britânico ignorou as críticas da imprensa. Embora a Gazeta de Bengala seja considerada por alguns como o primeiro jornal indiano, outras fontes notam que em 1777 um membro da comunidade Parsi chamado Rustomji Kashaspathi fundou o jornal chamado Bombay Courier. Alguns jornais em línguas locais começaram a surgir no século XIX, mas os jornais mais influentes eram os de língua inglesa. Entre os mais conhecidos, destacam-se o Bombay Times e o Journal of Commerce, fundado em 1838; hoje é conhecido como o Times of India, nome que começou a usar em 1851.

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No Canadá, o primeiro jornal apareceu em março de 1752; a Gazeta de Halifax (Nova Escócia) começou como um tabloide de duas páginas, com notícias da Inglaterra, Europa e outras colônias britânicas. Seu fundador foi o impressor John Bushell. Embora tenha sido publicado no Canadá, não abrangeu nascimentos, mortes ou casamentos locais até cerca de 1769; a maior parte do que foi impresso inicialmente era material destinado a funcionários do governo, comerciantes e militares. Mais local em seu foco foi o Toronto Globe (hoje Globe and Mail), fundado pelo imigrante escocês George Brown em 1844. O Globe enviou correspondentes em todo o leste do Canadá para cobrir as notícias. E em Montreal, o Gazette começou em 1778 como um jornal de língua francesa, mudou para um formato bilíngüe e, finalmente, tornou-se todo inglês em 1822.

Na Austrália, um dos primeiros jornais foi o Sydney Gazette e New South Wales Advertiser, fundado em 1803. Três britânicos que haviam trabalhado lá, Alfred Stephens, Frederick Stokes e William McGarvie, fundaram o Sydney Herald (hoje o Sydney Morning Herald) em 1831. O Herald, originalmente um semanário e apenas quatro páginas, expandiu-se e tornou-se um diário em 1840.

Brasil e África

No Brasil destaca-se a chegada, em 1808, da Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro, motivada por uma manobra do Príncipe Regente D. João, a fim de evitar a conquista de Portugal por Napoleão. A presença Real alterou a rotina de vida das pessoas na colônia, seus hábitos e costumes, e a cidade tornou-se a capital do Reino de Portugal e do Brasil. A Gazeta do Rio de Janeiro, em setembro de 1808, foi o primeiro jornal impresso no Brasil, nas máquinas da Impressão Régia, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, por volta de 1894 foi fundado o jornal A Tribuna de Santos, que circulava duas vezes por semana, passando a ser diário a partir de 1896. No Rio de Janeiro, em abril de 1891, surgia o Jornal do Brasil, fundado por Rodolfo de Souza Dantas e Joaquim Nabuco, ligado a causas abolicionistas e republicanas, que com o objetivo de fazer valer seus pontos de vista tornou-se escritor.

A Cidade do Cabo, na África do Sul, tinha um jornal já em 1800; os fundadores da Gazeta da Cidade do Cabo eram Alexander Walker e John Robertson, e publicou artigos em inglês e em africâner. Não havia jornal negro na África do Sul até 1884, quando o Imvo Zabantsundu (“Opinião Nativa”) apareceu pela primeira vez. Fundado pelo jornalista negro John Tengo Jabavu, publicou na língua xhosa e inglês, e foi único em abordar eventos atuais e política de uma perspectiva negra e em dar aos poetas e ensaístas negros uma maneira de imprimir suas ideias.