Homem usando calça jeans, sentado e com as pernas cruzadas, lendo jornal.
Homem lendo jornal. Fotografia por Pexels.com

Histórico de Censura da Mídia Impressa

A desculpa frequentemente dada para a censura governamental da imprensa tem sido que o jornalismo não é confiável, o que em seus anos de formação pode ter sido em parte verdadeiro, já que algumas das notícias eram recheadas de rumores infundados, e alguns escritores usavam de sensacionalismo para atrair o público. Mas o verdadeiro problema para as classes dominantes é que a imprensa começou a tomar partido em questões políticas. Muitos leitores viram os jornais como uma maneira de aprender perspectivas que diferiam da versão oficial dada por quem estava no poder. Então, como agora, os poderes tinham sua própria publicação “oficial”. Os governantes muitas vezes esperavam que a sua fosse a única versão, mas na Inglaterra, para dar um bom exemplo, outras publicações se desenvolveram, algumas das quais questionaram o governo. Havia tensões entre os governantes e os editores: os governantes não se importavam de obter alguma publicidade positiva de um jornal, como quando, em 1622, o Rei James I da Grã-Bretanha explicou por escrito que ele havia decidido dissolver o parlamento. Mas os monarcas frequentemente tentavam fechar os jornais que eles consideravam críticos demais. Na França, os impressores e editores eram às vezes presos e açoitados por publicações consideradas sediciosas ou difamatórias. Em pelo menos um caso, na Inglaterra em 1584, um impressor católico, William Carter, foi condenado à morte porque acreditava-se que uma história alegórica que ele havia escrito em um de seus livros amplamente divulgados era realmente um ataque à fé protestante da rainha.

Apesar dos esforços de vários monarcas europeus para amordaçar a imprensa, os jornalistas continuaram a expressar suas opiniões e, com o passar dos anos, repórteres e colunistas mostraram que podiam moldar a opinião pública. Na Inglaterra, a influência da imprensa cresceu tanto que, no início do século XIX, os jornalistas britânicos eram referidos como o “quarto estado”, em referência às três classes (ou propriedades) da sociedade: a nobreza, o clero e a pessoas comuns. Foi sugerido que, além dos três originais, deveria ser acrescentado um quarto, os jornalistas, que, de certa forma, eram os mais influentes de todos, já que contar histórias poderia trazer elogios ou desaprovação de milhares de pessoas.

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Liberdade de Imprensa e Jornalismo Sensacionalista

A ideia de liberdade de imprensa foi defendida por estudiosos e poetas desde pelo menos a famosa Areopagitica do poeta John Milton: um discurso pela liberdade de imprensa lido ao Parlamento da Inglaterra, em 1644; mas não foi até meados do final do século XVIII, que todos os países criaram leis para proteger formalmente os jornalistas. A Escandinávia liderou o caminho em 1766, com a Suécia sendo o primeiro país a abolir a censura e introduzir uma lei garantindo a liberdade de imprensa, seguida por Dinamarca e Noruega em 1770. A liberdade de imprensa tornou-se parte da recém-independente Declaração de Direitos dos Estados Unidos – as dez primeiras emendas à sua constituição – ratificada em 1791.

“Nossa liberdade depende da liberdade de imprensa, e não há como restringi-la sem perdê-la.” – Thomas Jefferson (1743–1826)

Séculos anteriores haviam visto a publicação ocasional de rumores infundados ou histórias sensacionalistas, mas no século XIX, à medida que os jornais proliferavam, também sucediam alguns desses excessos. Talvez o mais perturbador fosse o “jornalismo amarelo”. Batizado em homenagem a um personagem de uma história em quadrinhos dos Estados Unidos, o “Garoto Amarelo”, em suas formas mais brandas, era apenas uma preocupação com escândalos, rumores e sensacionalismo. O jornalista canadense James Creelman estava bem conhecido no final de 1800 por sua escrita dramática e hiperbólica. Como correspondente de vários jornais de Nova York, ele relatou lugares perigosos, enquanto entrevistava alguns dos mais polêmicos jornalistas de seu tempo em um estilo “você está aí”. O estilo de escrever era muito exagerado e cheio de palavras que faziam parecer que o escritor estava em perigo mortal apenas para escrever a história. Creelman era o que em sua época teria considerado chocante – quando escreveu sobre atrocidades durante a guerra sino-japonesa, por exemplo, suas narrativas eram tão gráficas que as pessoas não conseguiam acreditar que coisas tão horríveis fossem verdadeiras. Ele estava entre os correspondentes mais conhecidos da época e via a si mesmo como um mensageiro da verdade. Na Inglaterra, William T. Stead, o editor do Pall Mall Gazette de Londres, reagiu contra o que considerou a suavidade da imprensa britânica ao criar uma estratégia para atrair a classe trabalhadora em vez da elite instruída. Ele começou a usar manchetes gritantes e mais ilustrações, e confrontava ativamente uma variedade de problemas sociais que afetavam os pobres; por exemplo, em meados dos anos 1880, o Gazette fez uma série sobre prostituição infantil, na época chamada de “escravidão branca”, mostrando como era fácil para as crianças pobres serem exploradas. Naquela época, os padrões eram bem diferentes, e até escrever sobre prostitutas era considerado de gosto duvidoso. As páginas da Gazeta permitiam a Stead defender várias causas, incluindo o sufrágio feminino e o movimento anti-guerra de sua época. O “jornalismo amarelo” acabou sendo malvisto pelo público quando os jornalistas começaram a competir uns com os outros sendo mais sensacionalistas e gráficos – mais uma vez, dentro das limitações da época, em que “linguagem ruim” não era permitida, não importando o quê.

Reportagens sensacionalistas vendiam jornais, mas o “jornalismo amarelo” também poderia ter sérias consequências. Em uma era antes do conceito de reportagem objetiva ter sido consagrado no vocabulário do jornalista, muitos jornais eram desavergonhadamente partidários. Isso poderia ser uma faca de dois gumes. Na Hungria, por exemplo, havia uma revolução no ar em 1848, já que muitos húngaros queriam independência da Áustria. Foi a imprensa que liderou a acusação, em grande parte graças a Lajos Kossuth, um advogado cujas opiniões eram consideradas radicais pelos que estavam no poder. Um ardente orador e escritor, Kossuth usou sua posição como editor-chefe do jornal Pesti Hirlap (jornal de Pest) para promover o nacionalismo e liderar o movimento pela independência. Embora o encorajamento do nacionalismo tenha tido um resultado positivo neste caso, houve outras ocasiões em que estimular o fervor nacionalista causou mais mal do que bem. A guerra hispano-americana em 1898 foi em grande parte atribuída ao dono do jornal William Randolph Hearst, que encorajou seus repórteres a inflamar o público norte-americano para apoiar uma guerra que a maioria dos historiadores modernos concorda que nunca tenha sido travada.

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